Zequinha Brito o poeta cordelista da Literatura Arariense

A Literatura de Cordel é uma manifestação literária tradicional da cultura popular brasileira, mais precisamente do interior nordestino. No Brasil, a literatura de Cordel adquiriu força no século XIX. Muitos escritores foram influenciados por este estilo, dos quais se destacam: João Cabral de Melo Neto, Ariano Suassuna, Guimarães Rosa, dentre outros.

O termo “Cordel” é de herança portuguesa. Essa manifestação artística foi introduzida por eles no país em fins do século XVIII. Esse tipo de manifestação tem como principais caraterísticas a oralidade e a presença de elementos da cultura brasileira. Sua principal função social é de informar, ao mesmo tempo que diverte os leitores. Oposta à literatura tradicional (impressa nos livros), a literatura de cordel é uma tradição literária regional. Sua forma mais habitual de apresentação são os “folhetos”, pequenos livros com capas de xilogravura que ficam pendurados em barbantes ou cordas, e daí surge seu nome.

Essa breve introdução foi necessária porque o nosso homenageado é um cordelista, para mim, o mais original cordelista do município de Arari. O nosso homenageado, portanto, é José de Ribamar Brito, popularmente conhecido em nossa cidade como Zequinha Brito. Ele nasceu na Trizidela do Arari, em 11 de agosto de 1952. Seus pais são Azeídes Brito e João Brito. O casal teve sete filhos, sendo Zequinha Brito o quinto da prole.

Segundo o próprio escritor, a sua inspiração para escrever romances em forma de cordel foi o cantor e compositor gaúcho, Teixeirinha, a partir da sua canção “Coração de Luto” música preferida de Zequinha Brito, que assim se inicia:

[…] “O maior golpe do mundo

Que eu tive na minha vida

Foi quando com nove anos

Perdi minha mãe querida” […]

O nosso homenageado escreveu o seu primeiro romance em 1974. Intitulava-se “O drama da enchente”, e teve 1500 exemplares vendidos. Naquele ano acontecera, em Arari, a maior cheia que se tem notícias. Ainda em 1974, Zequinha Brito produziu a sua primeira quadrilha junina. José de Ribamar Brito publicou 13 romances. Dentre a sua obra cordelista, a que mais vendeu foi o romance “A vida do Padre Clodomir na cidade de Arari”, com mais de dois mil exemplares vendidos. Ele considera esse trabalho como um dos mais importantes.

Zequinha Brito tem um grande orgulho de ser arariense. Ele se autodenomina “O mensageiro de Arari”. Em seus cordéis sempre diz:

“Zequinha Brito é meu nome

Assim sou conhecido

Bastante amigo do povo

Rapaz amado e querido

Ideal de bom proveito

Vocês merecem respeito

Obrigado povo querido”.

 Em relação a Arari disse:

“A cidade que eu falo

Foi na qual eu nasci

Ela é bastante conhecida

Terra bela e querida

A cidade de Arari”.

Disse ao blog

“Arari é a cidade que eu amo.

Minha cidade amiga.

A inspiração para os meus romances”.

Esta homenagem ao nosso escritor popular Zequinha Brito é justa e merecida. Mesmo tendo estudado pouco, como ele mesmo nos relatou, sempre procurou contar em forma de poesia de cordel “os dramas de Arari” (sic). Ele possui quatro romances prontos, porém, ainda não os publicou porquê atualmente está bastante doente. São eles: “Mensageiro da vaidade”; “Infelizmente, Arari é um palco de acidentes”; “Relampão e Zé Pequeno”; e “A passagem da minha vida”, onde conta as suas memórias.

A importância de Zequinha Brito para a nossa literatura é grandiosa. Sobretudo pelo fato de ele ser um dos poucos ararienses a produzir cordéis com maestria e significância. Suas obras representam a originalidade da verdadeira expressão popular. Uma literatura simples, sem rebuscamentos, mas de uma expressividade valorosa. Zequinha Brito escreve seus versos com o coração. Tem uma facilidade nata para produzir rimas.

Finalizo esta apresentação com as palavras ditas ao blog , durante a nossa conversa:

“Eu queria sempre estar presente

Para fazer esse povo sorrir

Mas infelizmente.

Eu não posso estar aqui.

Mando um abraço muito forte

Desejando boa sorte

Ao povo de Arari”.

Com informações do Ararizando

 

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