NÃO SE NASCE ÉTICO, TORNA-SE texto premiado no projeto Ler, escrever do Ministério Público do Maranhão

Aluna: Vanilda Cruz Bogéa , do 3º ano médio do centro de ensino cidade de Arari (CEMA)

O Brasil enfrenta com constância vários impasses que chegam a ser constrangedores, tais como elevados índices de suborno, corrupção e roubo. Entretanto, mesmo diante dessa triste realidade, uma considerável parte dos brasileiros parece não se importar, optando por fingir que nada está ocorrendo, abrindo dessa forma, espaço para o obscuro lado do “jeitinho brasileiro”.

Não se trata apenas daquele jeitinho que dá para algo quebrado, mas sim de uma prática viciante e vergonhosa de sempre buscar obter benefícios individuais e levianos em detrimento ao prejuízo de outrem.

Em uma sociedade marcada pela passividade, é necessário que a mesma se posicione a fim de honrar seus valores humanos, pois a formação de ética desta e das futuras gerações se dará a partir de que os mesmos observarem como conduta correta em seu cotidiano.

Conforme o livro “Ética e vergonha na cara” os autores Cortella e Barros Filho destacam a ideia da ética como instrução que vem da natureza exemplar, para que assim ela se concretize na vida das pessoas. E é esse o fato que famílias e parte da mídia esquecem. A maioria das crianças e adolescentes têm sua formação de ética a partir aquilo que observam como procedência correta dos pais. Em outras palavras, o indivíduo tem sua formação ética construída através daquilo que observa como espelhamento de conduta.

Outrossim, de acordo Rousseau em seu “Discurso sobre a origem da desigualdade entre os homens”, observa que um gato nasce gato e dessa maneira nasce sabendo viver como um gato, porém o homem não nasce sabendo, então só lhe resta aprender e viver. Assim, o que caracteriza o homem é a possibilidade que o gato não tem, ou seja, a possibilidade de escolher sua própria conduta, ou até mesmo escolher errado. E escolher certo e errado é justamente o campo da ética como princípio.

Ademais, observa-se no dia-a-dia um alto nível de práticas corruptas que permeiam a nação brasileira. Desde os “pequenos” atos como furar fila, até os mais alarmantes como desvios de verbas públicas. Nessa perspectiva, nota-se a necessidade de providências para intervir na questão, para obter-se uma população na qual os valores morais e os princípios éticos sejam alicerçados na base familiar e contemplados na educação básica da sociedade.

A formação da ética em um indivíduo se dá, pelo espelhamento que se tem de conduta e ela é instruída a partir das vertentes que compõem a sociedade. Desse modo, é possível concluir que uma sociedade só se torna justa mediante o exercício dos valores éticos, ou seja, a sociedade em um todo precisa defender as práticas de respeito ao próximo e a honestidade, desde as pequenas atitudes cotidianas até a escolha de representantes que prezem pelo cumprimento das leis que regem o Brasil. É, também, investindo em educação que se pode observar a transferência de valores e princípios para que assim sejam respeitados os valores humanos, pois como destaca o autor Oscar Wilde, “o primeiro passo é o mais importante na evolução de um homem ou de uma nação. ”

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