A Adesão do Maranhão à Independência do Brasil

Por Adenildo Bezerra

O Maranhão não aderiu à independência em 1822, junto com a maioria das províncias. Foi uma das últimas a se separar de Portugal, o processo só se consolidou em 28 de julho de 1823, quase um ano depois do “Grito do Ipiranga”.

O motivo era econômico e político. São Luís mantinha laços comerciais fortes com Portugal, e a elite portuguesa na capital via a independência como ameaça aos seus interesses. Enquanto isso, no interior da província, sobretudo em Caxias, crescia um movimento patriota favorável à causa brasileira.

Esse racha explica por que a adesão maranhense não veio por decreto, e sim por confronto. Em 13 de março de 1823, aconteceu a Batalha do Jenipapo: tropas patriotas, com armamento precário e em desvantagem numérica, enfrentaram um destacamento português mais bem preparado. O saldo foi trágico para os brasileiros, mas o combate abalou o domínio português no interior e deu força política ao movimento separatista.

Com o interior praticamente perdido, a resistência portuguesa se concentrou em São Luís, comandada pelo brigadeiro Bernardo da Silveira Pinto da Fonseca, o Madeira de Melo. O desfecho veio pelo mar: uma esquadra a serviço do Império do Brasil, sob comando de Lord Cochrane, bloqueou a baía de São Luís. Cercadas e sem saída, as tropas portuguesas se renderam.

Foi só então, em 28 de julho de 1823, que o Maranhão declarou formalmente sua adesão à independência, fechando, com atraso e sangue, um capítulo que em outras províncias havia se resolvido quase sem resistência.

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